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Marca RAPHA® leva tecnologia da UnB ao tratamento de úlceras em pés diabéticos

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Por Nayara Campos

No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas vivem com diabetes, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. A doença crônica está associada a complicações graves, como feridas nos pés. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25% dos pacientes diabéticos desenvolvem algum tipo de ferida ao longo da vida e mais de 30% desses casos evoluem para úlceras, podendo resultar em amputações e até óbito, cenário que impõe desafios clínicos, sociais e econômicos significativos ao sistema de saúde.

Foi diante dessa realidade que pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram a marca mista RAPHA®, equipamento médico com fabricação 100% brasileira, que reúne diferentes tecnologias para o tratamento de úlceras em pés diabéticos. Com eficácia comprovada em ensaios clínicos, a solução combina biomateriais naturais, fototerapia e monitoramento da pressão plantar em um protocolo terapêutico integrado.

Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa, professora do Grupo de Engenharia Biomédica da UnB, que coordenou o desenvolvimento da tecnologia, explica que a motivação para o projeto veio de uma demanda concreta da prática clínica, com o objetivo de criar um protocolo simples e reprodutível. 

“O RAPHA® nasceu da necessidade real de oferecer tratamentos eficazes para feridas crônicas do pés diabéticos, uma das principais causas de amputações no Brasil”. Rosa destaca que “a pesquisa teve início em 2005, quando se descobriu que o látex natural possuía propriedades angiogênicas, permitindo desenvolver um dispositivo capaz de acelerar a cicatrização, reduzir infecções e prevenir amputações”, afirma Rosa. 

Registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sob o número 940789884, a marca mista RAPHA®, cujo nome significa “cura” em hebraico, venceu o Prêmio FORTEC na modalidade Design Industrial ou Marca, concorrendo pela região Centro-Oeste. 

Segundo Rosa, “a forma da marca remete a espectro de luz em processo circular, simbolizando renascimento e regeneração tecidual, e a cor vermelha correspondente ao comprimento de onda utilizado pela fototerapia LED do dispositivo”. A professora explica que “esses elementos juntos comunicam a essência do RAPHA®: cura, simplicidade, transformação e inovação translacional brasileira”.

Impactos da solução

O RAPHA® é formado pela combinação de tecnologias que precisam ser utilizadas de forma integrada para obter o resultado pretendido. Entre elas estão a patente “Palmilha sensorizada para pés diabéticos” (PI 1103691-5), concedida  em 2021, o know-how associado a esse dispositivo e o pedido de patente “Adesivo microperfurado fabricado em látex associado a fontes luminosas do tipo LED” (BR 10 2016 019963 8), depositado em 2016.

As palmilhas sensoriais monitoram a pressão plantar e auxiliam na regeneração dos tecidos, enquanto os adesivos de látex com LEDs emitem diferentes comprimentos de onda capazes de ativar processos cicatriciais e antibacterianos. Já o sistema móvel de fototerapia reduz a carga bacteriana, acelera a neoformação tecidual e melhora a circulação sanguínea, permitindo a recuperação total das feridas.

A eficácia da tecnologia foi comprovada em testes clínicos aprovados pelo Sistema de Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), a partir de um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, que possibilitou a realização de testes clínicos em quatro hospitais da rede pública de saúde do Distrito Federal. 

Na ocasião, foi comprovada a eficácia do equipamento com mais de 200 pacientes que tiveram cicatrização completa das feridas em menos de 90 dias, evitando agravamentos, amputações e longas internações hospitalares. Além dos benefícios clínicos, o tratamento é menos invasivo e contribui para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

A transferência da tecnologia para o setor empresarial ocorreu por meio de contratos firmados em 2022 entre a UnB e a empresa Life Care Medical Indústria e Comércio. Foram celebrados contratos de licenciamento de patente, licenciamento de marca e transferência de know-how, estabelecendo os direitos de uso e exploração comercial do RAPHA®. O acordo prevê o pagamento de royalties para a universidade, a partir de 2026, sobre a receita líquida e a doação inicial de 50 kits RAPHA® para ambulatórios do Distrito Federal, na fase de testes, ampliando o acesso ao tratamento no sistema público.

Para Manoel Clemente Isidoro, diretor da Life Care Medical, a decisão de investir no licenciamento foi também pessoal. “O RAPHA® nos deu uma motivação especial, pois diretores da empresa tiveram familiares e amigos que sofreram com essa doença. Conscientes da gravidade do pé diabético e da oportunidade de lançar um produto capaz de dar melhor qualidade de vida aos pacientes, decidimos investir no licenciamento”, afirma.

Segundo Isidoro, o processo reforçou a cultura de inovação da empresa, pois “evidenciou o grande potencial das tecnologias desenvolvidas em universidades brasileiras e a necessidade de parceria para aplicá-las ao mercado”. Para o empresário, a colaboração também “mostrou que pesquisadores estão dispostos a colaborar com empresas, algo essencial para viabilizar certificações junto ao Inmetro e à Anvisa e para adotar uma visão mais aberta e cooperativa de inovação”.

A tecnologia está em fase final de preparação para submissão à ANVISA pela Life Care Medical e a entrada no mercado depende da aprovação regulatória final. Segundo Isidoro, “o equipamento poderá ser facilmente integrado ao SUS com muitas vantagens econômicas”.

Proteção intelectual, transferência e papel do NIT

A estruturação da proteção intelectual e da estratégia de transferência do RAPHA® contou com a atuação do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), por meio da Agência de Comercialização de Tecnologia (ACT) da UnB. De acordo com Lívia Araújo, coordenadora da ACT, a opção pelo registro da marca foi central para garantir sustentabilidade à transferência no longo prazo.

“A marca RAPHA® foi cuidadosamente pensada para assegurar e fortalecer as estratégias de transferência de tecnologia que o CDT e a equipe de pesquisadores desenharam para viabilizar a chegada desse conjunto ao mercado”, explica.

Conforme ressalta a gestora, como o equipamento envolve patentes concedidas, pedidos de patente em andamento e know-how, o CDT orientou os pesquisadores a estruturarem uma marca que representasse o conjunto tecnológico. “Isso facilitou a comunicação com possíveis parceiros, com o público-alvo e agregou valor ao produto final oferecido às empresas”, afirma.

Além disso, o CDT desempenhou papel essencial na trajetória do RAPHA®, atuando na gestão da propriedade intelectual, na prospecção e valoração da tecnologia, na negociação dos contratos de licenciamento, no acompanhamento técnico e regulatório junto à Anvisa e ao Inmetro e na articulação institucional com o sistema público de saúde.

Para Araújo, o caso ilustra a importância dos NITs no ecossistema nacional de inovação. “Não existe desenvolvimento econômico e tecnológico sem educação. O papel das universidades é primordial, assim como os instrumentos de transferência de tecnologia. Isso evidencia a importância dos NITs no Brasil e o impacto do Prêmio de Inovação do FORTEC”, destaca.

Ao integrar ciência, marca, propriedade intelectual e transferência de tecnologia, o RAPHA® demonstra a capacidade da universidade pública de transformar conhecimento em cuidado. Com eficácia clínica comprovada e impacto social direto, a solução aponta novos caminhos para que a inovação em saúde chegue ao sistema público, ampliando o acesso ao tratamento e reafirmando o papel da pesquisa brasileira na melhoria da qualidade de vida da população.

Tecnologia da Unicamp viabiliza primeira gordura de baixo teor de saturados da indústria brasileira

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Por Nayara Campos

O aumento do colesterol está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia e do Ministério da Saúde, 4 em cada 10 adultos têm colesterol alto, e 25% das crianças brasileiras também apresentam níveis elevados. De acordo com a pasta, esse cenário está relacionado a padrões genéticos, mas também a hábitos alimentares como o consumo elevado de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados.

A busca por alternativas de gorduras mais saudáveis, capazes de manter o desempenho tecnológico dos alimentos, é um desafio para a indústria. Essa realidade impulsionou pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a iniciarem pesquisas para o desenvolvimento de gorduras estruturadas com baixo teor de saturados, capazes de manter textura e estabilidade sem recorrer às formulações tradicionais de alto teor de gordura.

As pesquisas realizadas pelo Dr. Renato Grimaldi e pela Prof. Dra. Lireny Aparecida Guaraldo Gonçalves, do Laboratório de Óleos e Gorduras, FEA resultaram na patente BR102014012953-7, concedida em 2018, em cotitularidade entre a Universidade e a multinacional Cargill, com extensão para países estratégicos como os Estados Unidos (US20170112159), Espanha e outras nações da América Latina.

Hoje licenciada para Cargill e aplicada em formulações de biscoitos, recheios, chocolates, sorvetes e produtos de panificação, a tecnologia venceu o Prêmio FORTEC na modalidade “Patente Concedida ou Pedido de Patente”, concorrendo pela região Sudeste.

Impactos da tecnologia

Segundo Grimaldi, “a ideia do desenvolvimento foi criar uma gordura com baixo teor de saturados, no máximo 35%, valor bem abaixo daqueles observados no mercado, e que pudesse contribuir com um produto de maior saudabilidade”. Como resultado, os pesquisadores conseguiram reduzir o teor de saturados mantendo estabilidade térmica, estrutura e tempo de prateleira comparáveis aos produtos convencionais.

“A tecnologia foi um marco dentro do mercado de gorduras na época, pois apresentou um desempenho estrutural superior aos produtos já existentes”, afirma Grimaldi, que destaca ainda que o êxito permitiu que a indústria incorporasse formulações mais saudáveis sem alterar processos, máquinas ou padrões de qualidade, elementos decisivos para adoção em larga escala.

A tecnologia resultou em duas linhas comerciais da Cargill, Lévia+e e Lévia+c, aplicadas em produtos amplamente consumidos no país e com impacto direto no padrão nacional de ingestão de gorduras saturadas. Joseane Marchi, Food Latam e Líder na categoria de Panificação, Salgadinhos e Cereais da Cargill explica que a empresa identificou uma sinergia imediata entre a demanda da indústria e o que saía dos laboratórios da Unicamp.

De acordo com Marchi, essa busca industrial se alinhava ao movimento internacional de reformulação nutricional. “Consumidores exigiam redução de gorduras saturadas e trans, e o setor de alimentos precisava de soluções que mantivessem sabor, estabilidade e custo competitivo”.

A representante ressalta que “a linha Lévia+e é 100% lipídica, sendo a única solução do mercado que apresenta a mesma estrutura física de uma gordura tradicional em consistência e textura, com níveis de gorduras saturadas significativamente menor”. Marchi explica ainda que houve comprovação científica, em testes laboratoriais e de produção, de que “seu teor de saturados pode variar de 25 a 35%, dependendo da aplicação, enquanto que as diferentes soluções existentes no mercado possuem valores que variam entre 45% e 65%”.

Proteção intelectual e continuidade da tecnologia

A parceria Unicamp–Cargill é hoje uma das mais longevas da Universidade, já rendeu reconhecimentos nacionais e internacionais, e começou em meados dos anos 2000, quando a empresa buscava alternativas para substituir a gordura trans em recheios de biscoitos. O primeiro acordo, firmado em 2007, deu origem a uma solução posteriormente transferida para produção industrial.

A colaboração avançou e, em 2012, a Universidade apresentou o novo desafio que renderia o desenvolvimento da tecnologia premiada pelo FORTEC. A solução gerou royalties para a instituição, apoiando a expansão de laboratórios, infraestrutura e equipamentos da FEA, a manutenção das ações estratégicas da Inova Unicamp voltadas à inovação e ao empreendedorismo na Unicamp e o reconhecimento ao trabalho dos inventores.

A atuação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade foi decisiva para consolidar a trajetória do invento e parceria com a empresa. Iara Ferreira, coordenadora de Negócios e Inovação da Agência de Inovação Inova Unicamp, explica que a Agência participou de todas as etapas do processo de proteção e licenciamento. “A Inova Unicamp teve um papel crucial e contínuo, atuando desde a fase pré-proteção da tecnologia até o presente momento, no acompanhamento pós-contrato e garantindo sua eficiente chegada ao mercado”.

Segundo Ferreira, a Agência foi responsável por garantir a redação adequada do pedido de patente, conduzir o processo internacional de extensão de proteção, negociar o contrato de licenciamento exclusivo com a Cargill e acompanhar o desempenho comercial da tecnologia, que já apoia operações da empresa em mercados internacionais, ampliando seu alcance para além do Brasil.

A coordenadora reforça que o destaque no Prêmio FORTEC é um reconhecimento importante para a Universidade, pois a “conquista serve como a validação máxima do modelo de proteção de propriedade intelectual e transferência de tecnologia da Inova Unicamp. Ao ser premiada, a patente prova que a Agência cumpriu sua função essencial: transformar uma solução de laboratório em um produto comercial de sucesso”, ressalta.

Para Grimaldi, o destaque no Prêmio FORTEC reforça o papel da inovação científica como vetor de impacto social. “A conquista de um prêmio tão importante é combustível para novos desenvolvimentos, que possam contribuir com produtos mais saudáveis no mercado”, reforça.

Ao romper uma barreira técnica histórica e permitir a reformulação nutricional de milhares de produtos em escala industrial, a tecnologia da Unicamp demonstra o poder da ciência aliada à propriedade intelectual e à cooperação com a indústria. Essa combinação transforma desafios de saúde pública em soluções acessíveis e abre caminho para que a inovação saia do laboratório, ganhe escala e provoque mudanças duradouras na forma como o país produz e consome alimentos.

Prêmio FORTEC de Inovação 2026: edital está aberto para inscrições

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O Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC) anuncia o lançamento do edital do Prêmio FORTEC de Inovação 2026, iniciativa que reconhece e valoriza casos de sucesso em inovação e transferência de tecnologia no Brasil.

O prêmio tem como objetivo dar visibilidade a iniciativas protagonizadas por Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICT), por meio da atuação de seus Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT), evidenciando o impacto dessas ações no desenvolvimento econômico e social do país.

Ao longo dos últimos anos, o Prêmio FORTEC tem se consolidado como uma das principais iniciativas nacionais de reconhecimento de boas práticas de transferência de tecnologia, destacando projetos que transformam conhecimento em valor para a sociedade.

🏆 Categorias

As submissões poderão ser realizadas nas seguintes categorias:

  • Patente concedida ou pedido de patente
  • Cultivar
  • Programa de computador (software)
  • Desenho industrial ou marca
  • Indicação geográfica
  • Inovação social ou ambiental com base em propriedade intelectual

📅 Inscrições

As inscrições estarão abertas no período de 25 de março a 10 de maio de 2026 e deverão ser realizadas por meio de formulário online, acompanhado do envio da documentação exigida no edital.

🌎 Etapas do prêmio

O Prêmio FORTEC de Inovação 2026 será realizado em duas etapas:

  • Etapa Regional, com avaliação por região do país
  • Etapa Nacional, reunindo os melhores casos para seleção final

A cerimônia de premiação acontecerá durante o XX Encontro Nacional do FORTEC, de 07 a 10 de julho de 2026, em Campina Grande (PB).

🚀 Participe

Se o seu NIT tem um caso de sucesso que demonstra impacto, inovação e transferência de tecnologia, essa é a oportunidade de dar visibilidade à sua iniciativa em âmbito nacional.

👉 Acesse o edital completo e inscreva sua proposta:

Faça o download do Edital em .pdf ou download do Edital em .docx

👉🏻Para preencher o formulário de inscrição: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScddQ1ym5psOoj2bEGXNfq_jk8U_GctV3np3d85vkDm3HXPsw/formResponse

Biotecido feito a partir de micélio mostra que sustentabilidade e indústria podem caminhar juntas

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Por Nayara Campos

A demanda crescente por alternativas ao couro de origem animal e aos materiais derivados do petróleo abriu espaço para pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus de Ponta Grossa, explorarem soluções mais sustentáveis. Durante o Trabalho de Conclusão de Curso de um aluno de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, surgiu o biotecido à base de micélio, um material flexível, biodegradável e produzido a partir de micélio cultivado sobre resíduos agroindustriais, como milho, serragem e bagaço de cana.

Vencedora do Prêmio FORTEC 2025 na categoria Patente Concedida ou Pedido de Patente, concorrendo pela região Sul, a inovação utiliza o micélio — estrutura vegetativa dos fungos formada por hifas finas e interligadas — que cresce como uma rede natural capaz de unir e consolidar resíduos agrícolas. Esse conjunto de filamentos forma uma espécie de tecido moldável, servindo como matriz para a produção do material ecológico que transforma resíduos em uma solução sustentável com potencial de aplicação industrial. O processo deu origem à spin-off Fungi Biotecnologia Ltda (Mush), fundada em 2019, e, posteriormente à Muush, sendo as duas empresas formadas por ex-aluno e ex-professor inventores e por Antônio Carlos de Francisco, professor aposentado da UTFPR e CEO da Muush.

Impactos da solução

O biotecido à base de micélio apresenta reduções expressivas de impacto ambiental quando comparado ao couro bovino e a materiais sintéticos derivados de petróleo. Estudos conduzidos pela spin-off indicam pegada hídrica até 99% menor e emissões de carbono entre 55% e 95% mais baixas, dependendo da aplicação.

“O Brasil gerou mais de 900 milhões de toneladas de resíduos agrícolas em 2023, e em 2030 a previsão é ultrapassar um bilhão de toneladas. Identificamos a oportunidade de utilizar esses resíduos como matéria-prima para o biotecido. Isso significa que não são mais necessários a disponibilidade de grandes áreas de terra, utilizando uma menor quantidade de água e pesticidas”, ressalta Francisco.

De acordo com o inventor, a tecnologia também se destaca pela capacidade de adaptação a diferentes formatos, densidades e texturas. “A partir de um mesmo processo, podemos gerar materiais com formatos e propriedades customizáveis para diferentes mercados”, destaca. Essa versatilidade tem impulsionado aplicações em moda, calçados, decoração, setor automotivo, construção civil e embalagens. Em 2020, por exemplo, a Mush lançou a Coleção Íris, linha de painéis acústicos produzidos com micélio, ampliando o leque de usos do material. 

Para Carina Rau, diretora da Agência de Inovação da UTFPR, o avanço do biotecido tem impactado diretamente nas agendas ambiental e social, uma vez que o desenvolvimento conduzido pela Mush demonstra como a biotecnologia pode regenerar ecossistemas e melhorar a qualidade de vida. 

“A Mush entrega soluções que regeneram o meio ambiente enquanto geram valor econômico. O aproveitamento de resíduos agrícolas para criar biotecidos carbono neutro e compostáveis representa o estado da arte na bioeconomia”, afirma. Ela completa que a “mais do que conscientizar, a Mush valida a sustentabilidade como um modelo de negócios tangível e atual. A tecnologia deles deixa claro que a preservação ambiental, integrada a produtos de excelência, é um excelente caminho para o desenvolvimento industrial atual”.

Propriedade intelectual e transferência de tecnologia

A invenção foi protegida por patente (BR 10 2022 009786 0) depositada em 2022, em cotitularidade entre a UTFPR e a Mush, à época incubada na SprinT, incubadora ligada à Agência de Inovação da UTFPR. Em 2023, o pedido foi concedido pelo INPI no âmbito do programa Patentes Verdes, destacando o potencial ambiental da tecnologia. Já no ano de 2024, a spin-off apresentou proposta para aquisição dos 50% pertencentes à universidade, assumindo integralmente a titularidade da patente.

Rau explica que o processo foi planejado desde o início com perspectiva de transferência. “O NIT do campus Ponta Grossa orientou sobre a concepção e operação da estratégia de proteção da Propriedade Intelectual, em cotitularidade com a empresa incubada na SprinT, já pensando na posterior transferência”. O acordo garantiu autonomia para a spin-off escalar a produção, buscar novos mercados e ampliar parcerias industriais.

Francisco destaca que a proposta da Mush vai além da criação de um novo material, e aponta para uma mudança estrutural na forma para desenvolver bens de consumo. “A Mush representa um novo modo de se produzir bens de consumo no país, aliando o aproveitamento de resíduos agroindustriais e a biotecnologia na produção de bens duráveis e biodegradáveis que são capazes de substituir materiais de origem não-renovável”.

Ao transformar resíduos agrícolas em materiais de alto valor agregado e consolidar um processo de pesquisa, proteção, transferência e empreendedorismo, o caso mostra como a inovação universitária pode gerar soluções que mudam setores inteiros. A tecnologia evidencia o potencial do país para desenvolver materiais sustentáveis em escala e reforça que ciência, indústria e meio ambiente podem caminhar juntos, abrindo caminho para que o Brasil avance como referência na construção de novas cadeias produtivas de baixo impacto.

ArejaBus: tecnologia sustentável criada no IFBA melhora o ar, reduz calor e avança em frotas de ônibus pelo Brasil

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Por Nayara Campos

O ArejaBus, sistema de climatização natural desenvolvido por alunos e professores do Instituto Federal da Bahia (IFBA), tem ganhado destaque nacional ao oferecer uma solução de baixo custo para reduzir o calor e melhorar a ventilação em ônibus urbanos. A tecnologia, baseada em duas patentes concedidas ao IFBA e licenciada para a spin-off Areja, criada pelos inventores, venceu o Prêmio FORTEC 2025 na categoria Patente Concedida ou Pedido de Patente, concorrendo pela região Nordeste do Brasil.

O diferencial que garantiu a premiação do caso está diretamente ligado ao impacto social e à aderência da solução a um problema real do transporte coletivo brasileiro. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o ônibus é responsável por 31% dos deslocamentos urbanos no Brasil e atende majoritariamente às classes C, D e E.

A última edição da Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana mostra ainda que quase 30% dos usuários deixaram de usar o modal nos últimos anos, principalmente por falta de conforto térmico, e grande parte afirma que voltaria se as condições internas fossem melhores. O ArejaBus responde a essa demanda, oferecendo ventilação contínua, melhoria da qualidade do ar e alívio térmico sem consumo elétrico.

Para Leonardo Santiago, um dos inventores e sócio-diretor da Areja, a solução é fruto tanto de sua vivência como passageiro quanto da percepção de que o problema exige respostas práticas e acessíveis. “Em um dia de chuva, a caminho da faculdade, a BR estava completamente engarrafada. O ônibus ficou lotado, o ar quente acumulou e o ambiente se tornou quase uma sauna”, relembra o inventor. “Nesse trajeto, vi uma senhora passando mal por causa do calor. Aquilo me impactou profundamente e, a partir desse dia, comecei a buscar soluções que pudessem melhorar de forma simples, eficiente e acessível a experiência de quem depende do ônibus todos os dias”.

Impactos da solução

O ArejaBus combina dois dispositivos patenteados: venezianas que permitem a entrada controlada de ar externo e um exaustor tipo Venturi que succiona o ar quente interno. O resultado é uma ventilação contínua, sem consumo de energia elétrica, capaz de reduzir em média até 4 °C a temperatura interna do veículo, e Santiago explica que os benefícios vão além do conforto térmico. “O sistema mantém a qualidade do ar em bons níveis, contribuindo para evitar a proliferação de vírus e bactérias, tudo isso sem aumentar o consumo de combustível e, consequentemente, sem elevar as emissões de poluentes”.

Os testes e implantações realizados em cidades como Bauru, Petrópolis, Fortaleza, Osasco e Salvador confirmaram o potencial da tecnologia. Além disso, dados técnicos apresentados pelo IFBA mostram que o dispositivo reduz cerca de 260 g de CO₂ por quilômetro rodado por ônibus, o que pode resultar em toneladas de emissões evitadas ao longo de um ano de operação.

Além dos benefícios mensuráveis, o reconhecimento do setor reforça o diferencial da solução, que é multipremiada no Brasil e no exterior, com as duas patentes já concedidas pelo INPI reforçando sua originalidade e relevância tecnológica.

Proteção intelectual, transferência e papel do NIT

Segundo Marcelo Santana, chefe do Departamento de Inovação, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IFBA acompanhou o projeto desde as primeiras etapas. “Asseguramos que todo o percurso, da prova de conceito ao licenciamento, fosse realizado de forma profissional, alinhada à legislação de inovação e às melhores práticas institucionais, resultando em um case exemplar de inovação from lab to market”.

A tecnologia do ArejaBus é respaldada por duas patentes concedidas pelo INPI, que estruturam os dispositivos centrais do sistema. A primeira é a BR 10 2020 015506 7, referente ao “Dispositivo de Admissão de Ar por Venezianas Estáticas”, depositada em 30 de julho de 2020 e concedida em 8 de setembro de 2021. A segunda é a BR 10 2019 000139 9, que protege o “Dispositivo de Exaustão Tipo Venturi”, com depósito em 4 de janeiro de 2019 e concessão em 8 de dezembro de 2020. Ambas compõem a base técnica que permitiu transformar o conceito inicial em um produto robusto, replicável e com forte diferencial competitivo.

O NIT orientou os inventores sobre a patenteabilidade, realizou buscas de anterioridade, apoiou a redação dos pedidos, conduziu o trâmite prioritário no INPI e articulou a negociação do contrato de licença com a startup Areja,  permitindo que estudantes protagonizassem um processo até então inédito na instituição, que envolveu proteção, transferência e início de uma spin-off, a Areja, fundada em 2020.

Santana ressalta ainda que o caso é exemplar por unir formação e pesquisa aplicada. “O ArejaBus representa a transformação real de pesquisa acadêmica em negócio. A tecnologia mostra que é possível gerar impacto ambiental e social, e cerca de 90% dos passageiros relatam maior satisfação com a ventilação e temperatura”.Com potencial de replicação para os mais de 300 mil ônibus urbanos da frota nacional, o ArejaBus demonstra como pesquisa pública, criatividade técnica e articulação institucional podem gerar soluções de baixo carbono e com alto impacto social. A tecnologia mostra que a inovação brasileira tem potência para transformar o cotidiano, gerar negócios, proteger vidas e fortalecer a mobilidade sustentável em todo o país.

Software da UFAM apoia ecossistema de inovação da Amazônia em processos de propriedade intelectual

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Por Nayara Campos

O Sistema de Identificação e Proteção de Propriedade Intelectual (SIPPI), desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), nasceu para atender a uma demanda concreta de pesquisadores, empreendedores e organizações da região: compreender, de forma simples e acessível, se uma tecnologia deve ser protegida e qual modalidade de propriedade intelectual (PI) é a mais adequada em cada caso. Criado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT/UFAM), o software venceu o Prêmio FORTEC na categoria Programa de Computador (Software), concorrendo pela região Norte do Brasil.

A premiação reconhece o potencial transformador de uma solução criada na própria Amazônia para atender desafios amazônicos, um exemplo poderoso de inovação orientada ao território. Desenvolvido a partir de uma demanda real e disponibilizado à sociedade, o software atende aos requisitos centrais da premiação ao integrar universidade, NIT e setor produtivo em um processo de inovação aplicado, com resultados práticos para o ecossistema amazônico.

Segundo Célia Regina Simonetti Barbalho, professora da PROFNIT e coordenadora da iniciativa, a criação do software foi motivada por uma demanda do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que buscava uma forma mais ágil e estruturada de orientar projetos desenvolvidos com comunidades amazônicas sobre questões de propriedade intelectual. “Quando um projeto para atender a uma comunidade é desenvolvido, o que deve ser protegido e como? A resposta a essa pergunta gerou o SIPPI”, explica Barbalho.

A docente destaca que o software funciona por meio de um quiz interativo que conduz o usuário passo a passo, ajudando a identificar se há necessidade de proteção intelectual e qual o tipo aplicável. Aberto e gratuito, o SIPPI foi desenhado para atender públicos diversos, como inventores, startups, pesquisadores e comunidades tradicionais. Para Barbalho, “a solução desponta como uma importante ferramenta para auxiliar toda a sociedade, para identificar uma PI e como protegê-la”.

O funcionamento do software foi estruturado para tornar o processo claro e acessível. Ao iniciar o quiz, o usuário responde a perguntas que direcionam o diagnóstico conforme as características da criação. O sistema aborda aspectos essenciais da proteção intelectual, como patenteabilidade, originalidade e aplicabilidade industrial.

Impactos da solução

A ONG Idesam, referência em negócios de impacto na Amazônia, incorporou o SIPPI como ferramenta de orientação para empreendedores acompanhados pela instituição. Segundo Paulo Alexandre Simonetti, líder de Inovação Aberta e ESG, o software trouxe agilidade ao trabalho da equipe. “Constantemente temos de apoiar empreendedores e startups para proteger seus respectivos conhecimentos. Nossa equipe tinha que sempre analisar e orientar. A partir do aplicativo desenvolvido pela UFAM temos como fazer essa orientação de forma mais rápida e precisa.” 

Ao integrar o sistema ao site da organização, o Idesam ampliou o acesso de usuários a informações de propriedade intelectual, superando um gargalo comum no desenvolvimento de negócios bioeconômicos. “Poder contar com essa solução para acelerar nosso trabalho, e também poder disponibilizá-la em nosso site, fortalece o processo de inovação não somente na nossa atuação, mas de todo o ecossistema ao qual estamos conectados”. Simonetti ressalta ainda que o processo colaborativo com a UFAM gerou ao Idesam novas perspectivas de cooperação entre universidades e organizações amazônicas.

Proteção intelectual e continuidade da tecnologia

A proteção da tecnologia contou com o suporte da Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (PROTEC), responsável pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFAM. Socorro Lima, servidora da equipe técnica da PROTEC, explica que o NIT atuou desde o registro do software até o licenciamento para o Idesam, firmado em caráter não financeiro e sem exclusividade. Elaborado pela PROTEC, o instrumento de licenciamento permitiu a ampla disponibilização da tecnologia, hoje acessível no site do grupo de pesquisa GICA, da UFAM, e no portal do Idesam.

Segundo Lima, esta foi também a primeira transferência de tecnologia não onerosa realizada pela UFAM para uma instituição sem fins lucrativos, em caráter não exclusivo, um marco na atuação da PROTEC e no histórico institucional de transferência tecnológica da universidade.

Para a profissional, o projeto exemplifica o papel da universidade na transferência de tecnologia. “A PROTEC tem interagido com empresas e contribuído no processo de difusão da cultura de inovação. Essa aproximação com a sociedade contribui para a formação qualificada de recursos humanos em áreas estratégicas, impulsionando a competitividade e o avanço tecnológico em prol do desenvolvimento regional e do país”.

Além dos impactos práticos, Barbalho destaca que o SIPPI fortaleceu a formação dos mestrandos envolvidos e ampliou a conexão entre universidade, NIT e setor produtivo. A docente observa também que a conquista do Prêmio FORTEC evidencia a relevância dessa articulação, principalmente em um território marcado por saberes tradicionais e desafios específicos de proteção. “[O prêmio representa] o reconhecimento de um trabalho muito alinhado com perspectiva de formação de pessoas para atuarem no âmbito da proteção dos direitos de propriedade intelectual sobretudo em uma região sui generis como a Amazônia”, conta.

Criado a partir de uma necessidade real e desenvolvido em um ambiente de formação, o SIPPI se consolida como uma ferramenta estratégica para apoiar empreendedores, pesquisadores e comunidades na tomada de decisões sobre proteção intelectual. Ao democratizar o acesso à informação e aproximar universidade e sociedade, a solução contribui para ampliar a segurança jurídica, fortalecer a bioeconomia e impulsionar o ecossistema de inovação na Amazônia, com potencial para orientar, em escala nacional, iniciativas que buscam transformar conhecimento em desenvolvimento sustentável.

Software de titularidade da UFSM é referência em gestão universitária no Brasil

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O Sistema de Informações para o Ensino (SIE), de titularidade da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem sido a solução de um problema recorrente em instituições públicas de ensino superior: a falta de sistemas integrados capazes de atender, de forma consistente, rotinas acadêmicas, administrativas e financeiras.

Criado em 2001 por servidores do Centro de Processamento de Dados da UFSM, com recursos próprios da universidade, o software consolidou-se como um ERP completo para universidades, foi implantado em dez instituições federais e venceu o Prêmio FORTEC na modalidade “Programa de Computador (Software)”, concorrendo pela região sul do Brasil.

Aldiocir Dalla Vecchia, engenheiro e servidor aposentado da UFSM, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do sistema, junto com Fernando Bordin da Rocha, também aposentado. O profissional explica que o ponto de partida para a criação do SIE foi a necessidade de superar limitações operacionais e tecnológicas enfrentadas pelas universidades.

Segundo Dalla Vecchia, “por longos anos, as universidades públicas enfrentaram limitações decorrentes de sistemas de informação ineficazes, agravadas pela dificuldade de contratação e manutenção de especialistas em informática”. O contexto levou a UFSM a estruturar uma equipe técnica dedicada ao desenvolvimento de sistemas voltados às rotinas universitárias, com infraestrutura institucional e um modelo de sustentação baseado em implantações externas.

Impactos da solução

Ao adotar banco de dados integrado e normalizado, o SIE eliminou redundâncias e possibilitou consistência de informações, automação de processos e participação direta das unidades responsáveis por cada área. Dalla Vecchia destaca que, na época da criação, “essa tecnologia representava o que havia de mais avançado”. A flexibilidade permitiu que o sistema evoluísse para contemplar desde módulos acadêmicos até gestão patrimonial, financeira, de frota, de recursos humanos e, em alguns casos, automação hospitalar.

À medida que outras instituições passaram a buscar soluções integradas compatíveis com as demandas de gestão do setor público, a disseminação do software pelo país ocorreu de forma natural. Atualmente, o SIE está implementado em universidades e institutos federais, como Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Universidade Federal do Acre (UFAC), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) e a própria UFSM.

Letícia Cruz, professora e chefe do Núcleo de Propriedade Intelectual, vinculado à Coordenadoria de Transferência de Tecnologia e Propriedade Intelectual da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (PROINOVA) da UFSM, chama atenção para o retorno econômico gerado à UFSM por meio do licenciamento firmado com a empresa AVMB – Consultoria e Assessoria em Informática Ltda, da qual Aldiocir Dalla Vecchia é diretor. De acordo com Cruz, “a UFSM já recebeu, entre 2015 e 2025, mais de R$ 1,78 milhão em royalties. Somente no período de 2020 a 2025, foram arrecadados cerca de R$ 1,07 milhão”.

Proteção intelectual, continuidade da tecnologia e impactos gerados

Segundo a professora, para levar o SIE para a comunidade, “o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) desempenhou papel estratégico na proteção, gestão e transferência da tecnologia”, incluindo o registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a negociação dos contratos de licenciamento com a AVMB, responsável pela manutenção corretiva, evolutiva e legal do sistema
Neste contexto, o NIT da UFSM atuou para garantir a exploração da tecnologia sem perda de titularidade e para consolidar a cultura de propriedade intelectual dentro da universidade. Além disso, o apoio jurídico e administrativo contribuiu para que o SIE se mantivesse ativo ao longo dos anos e continuasse sendo atualizado conforme as exigências legais e tecnológicas.

A trajetória do software também gerou impacto local ao contribuir para o surgimento de outras iniciativas tecnológicas. Dalla Vecchia ressalta que “o SIE representou o ponto de partida para sistemas de grande porte na região, resultando na retenção de talentos locais, avanços tecnológicos e incentivo ao surgimento de empresas startups”.

Ampliando o ecossistema de impacto, Cruz observa que o software demonstra como a articulação entre servidores técnicos, NIT e parceiros externos pode resultar em soluções consolidadas e de longa permanência no ecossistema público. “Quando a pesquisa acadêmica se transforma em produtos, processos ou serviços que chegam à população, ela impulsiona cadeias produtivas, fortalece a competitividade regional e nacional e contribui para o desenvolvimento sustentável”.
Neste cenário, a professora acredita que “iniciativas como a proteção da propriedade intelectual, a transferência de tecnologia e o apoio a startups e empresas nascentes são fundamentais para ampliar esse impacto e consolidar a universidade como agente de transformação econômica e social”.

Para Cruz, o reconhecimento nacional obtido pelo sistema no Prêmio FORTEC fortalece o posicionamento da UFSM no campo da inovação e propriedade intelectual, e evidencia o papel da universidade na geração de soluções tecnológicas de impacto. “Essa conquista evidencia a criatividade, o comprometimento e o esforço coletivo dos servidores envolvidos no desenvolvimento e na gestão do SIE, reforçando a capacidade da UFSM de gerar soluções tecnológicas de alto impacto”, destaca.

A vitória do prêmio também é vista pela professora como um destaque para a atuação do NIT, uma vez que “reafirma o papel estratégico da PROINOVA na promoção da cultura de proteção, valorização e transferência do conhecimento produzido na instituição”.

Com mais de duas décadas de operação, o software é um caso representativo de solução criada dentro de uma universidade pública, transferida ao mercado e mantida em contínua evolução, articulando eficiência administrativa, padronização e sustentabilidade econômica para instituições brasileiras de ensino superior.

Missão Internacional FORTEC 2026 fortalece articulação institucional e posiciona o Brasil no debate global sobre inovação

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Entre os dias 7 e 14 de fevereiro de 2026, o FORTEC realizou sua Missão Internacional em Seattle (EUA), reunindo uma delegação brasileira composta por lideranças de universidades, Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT), instituições estratégicas e ambientes de inovação de diferentes regiões do país.

A iniciativa integra a agenda institucional do Fórum e reafirma seu papel como articulador nacional da gestão da inovação e da transferência de tecnologia no Brasil.

Mais do que uma programação internacional, a Missão foi estruturada como instrumento estratégico de cooperação, internacionalização e fortalecimento sistêmico do ecossistema brasileiro.

Cooperação institucional e conexões estruturantes

Ao longo da semana, a delegação participou do AUTM Annual Meeting 2026 e realizou visitas técnicas a instituições como o Allen Institute e a Amazon.

Segundo a presidente do FORTEC, Ana Lúcia Vitale Torkomian, a Missão proporcionou resultados concretos:

“A Missão proporcionou não apenas oportunidades reais de cooperação com as instituições visitadas, mas também fortaleceu a integração entre os próprios participantes da delegação, ampliando redes e criando possibilidades de colaboração futuras.”

A presença, pela segunda vez, de uma delegação organizada do Brasil no encontro da AUTM também representa avanço institucional relevante.

“Estar no Encontro da AUTM, pela segunda vez com uma delegação estruturada do Brasil, amplia nossa visibilidade internacional e reforça a consideração do país como parceiro viável para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.”

Visitas técnicas e benchmarking internacional

A programação incluiu agendas técnicas em instituições de referência:

  • CoMotion (University of Washington), com foco em empreendedorismo acadêmico e comercialização de tecnologias;
  • Seattle University, com diálogo sobre governança e relacionamento com stakeholders;
  • Allen Institute, com aprofundamento na gestão de portfólio científico e ciência aberta;
  • Amazon Corporate Headquarters, com reflexões sobre cultura organizacional e inovação em escala global.

Essas experiências permitiram à delegação observar modelos consolidados de gestão da inovação e discutir estratégias adaptáveis à realidade brasileira.

Impacto para capacitação e políticas públicas

A Missão também contribui diretamente para a agenda de capacitação do FORTEC e para sua atuação no debate nacional sobre políticas públicas de inovação.

Como destaca a presidente:

“O conhecimento de boas práticas internacionais contribui para a elaboração de programas de capacitação mais assertivos para nossos NIT e fortalece a capacidade do FORTEC de colaborar na formulação e aprimoramento de políticas públicas brasileiras na área de ciência, tecnologia e inovação.”

Nesse sentido, a Missão se conecta à atuação permanente do Fórum como espaço de articulação técnica e política.

Internacionalização como estratégia permanente

A realização de Missões Internacionais integra uma política institucional contínua do FORTEC, voltada à qualificação técnica, cooperação internacional e fortalecimento da rede nacional de gestores de inovação.

Ao reunir lideranças de diferentes regiões e perfis institucionais, a iniciativa consolida o papel do Fórum como articulador estratégico do sistema brasileiro de transferência de tecnologia.

A Missão Internacional 2026 reafirma o compromisso do FORTEC com:

  • a internacionalização qualificada
  • o fortalecimento dos NIT
  • a cooperação institucional
  • e o posicionamento do Brasil no cenário global de inovação

FORTEC em Rede. Onde a inovação se conecta.

FORTEC lança Relatório de Atividades 2025 e reforça seu papel estratégico no ecossistema de inovação brasileiro

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O FORTEC – Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia lança oficialmente o seu Relatório de Atividades 2025, documento que reúne as principais ações, projetos, iniciativas e resultados desenvolvidos ao longo do último ano.

O relatório apresenta um panorama abrangente da atuação do FORTEC no fortalecimento da gestão da inovação, da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia no Brasil, evidenciando o papel da entidade como articuladora de redes, promotora de capacitação e interlocutora qualificada junto a universidades, ICT, órgãos de fomento, empresas e formuladores de políticas públicas.

Ao longo de 2025, o FORTEC ampliou sua presença institucional, promoveu eventos técnicos e científicos, fortaleceu grupos de trabalho temáticos, incentivou a troca de boas práticas entre Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) e avançou em ações de comunicação, formação e integração nacional, contribuindo para um ecossistema de inovação mais conectado, sustentável e estratégico.

Mais do que um registro institucional, o Relatório de Atividades 2025 reafirma o compromisso do FORTEC com a transparência, a governança e a valorização do trabalho coletivo realizado por seus associados, parceiros, conselheiros, diretorias e coordenações regionais.

Convidamos toda a comunidade a conhecer em detalhes as ações desenvolvidas e os caminhos que seguem orientando a atuação do FORTEC em prol da inovação brasileira.

📄 O relatório completo está disponível para download abaixo.

FORTEC envia contribuições institucionais para a ENCTI 2024–2034

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O Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC) encaminhou ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) suas contribuições institucionais para a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – ENCTI 2024–2034, documento que orientará as políticas públicas de CT&I no Brasil ao longo da próxima década.

As contribuições refletem a visão e a experiência dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) e dos gestores de inovação e transferência de tecnologia de todo o país, reunindo propostas, observações e recomendações alinhadas aos desafios estruturais do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), ao fortalecimento da inovação e à promoção do desenvolvimento social, econômico e territorial.

O processo de construção do documento contou com a participação ativa dos associados do FORTEC, cujas contribuições foram sistematizadas sob a coordenação do Conselheiro Gesil Amarante, consolidando uma posição institucional representativa e qualificada do Fórum.

A ENCTI 2024–2034, elaborada a partir das deliberações da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, estabelece eixos estratégicos voltados à expansão e integração do SNCTI, à inovação empresarial e reindustrialização em novas bases tecnológicas, aos projetos estratégicos para a soberania nacional e à CT&I como instrumento de desenvolvimento social.

Com o envio deste documento, o FORTEC reafirma seu compromisso com a construção de políticas públicas de longo prazo para a ciência, tecnologia e inovação, fortalecendo a atuação dos NIT e contribuindo para uma estratégia nacional alinhada às necessidades do ecossistema brasileiro de inovação.

📄 Acesse abaixo o documento com as contribuições enviadas pelo FORTEC à ENCTI 2024–2034.